Agência europeia de asilo alerta para "fluxo de refugiados" devido à guerra
Os pedidos de asilo caíram quase 20% na União Europeia (UE), anunciou hoje uma agência especializada, alertando, no entanto, para o risco de um "fluxo de refugiados" proveniente do Irão.
"Com uma população de cerca de 90 milhões de habitantes, mesmo uma desestabilização parcial pode gerar fluxos de refugiados de uma magnitude sem precedentes", sublinha o relatório da agência da União Europeia para o Asilo, redigido antes do início da guerra no fim de semana.
"A deslocação de apenas 10% da população iraniana seria suficiente para rivalizar com os maiores fluxos de refugiados das últimas décadas", escrevem os autores do documento.
Questionada pela agência France-Presse (AFP) sobre a possibilidade de uma atualização da avaliação após o início da guerra, a agência considerou que "a situação continua muito instável e seria irresponsável fazer declarações hipotéticas".
O número de pedidos de asilo apresentados por iranianos na UE e nos países vizinhos é, por enquanto, bastante baixo. Em 2025, eram 8.000, muito atrás dos afegãos (117.000) ou dos venezuelanos (91.000).
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão não provocaram, até agora, uma deslocação maciça da população para fora do país.
Mas "a magnitude do risco potencial é considerável", estima a agência. Tanto mais que o Irão figura entre os países que acolhem uma das maiores populações de refugiados do mundo --- uma situação suscetível de provocar deslocações em cadeia.
Os autores do relatório observam que o cenário de uma grande onda de refugiados iranianos é, até agora, "especulativo" e implicaria que passassem pela Turquia e depois se dirigissem para a Europa.
"Tudo isso é muito volátil", afirmou em declarações à AFP um responsável europeu especialista em imigração, sob condição de anonimato, dado o caráter "delicado" do assunto, que já é objeto de discussões entre os líderes políticos europeus.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, indicou ter trocado ideias sobre a questão com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
O mesmo fizeram os 27 ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, numa reunião extraordinária no domingo.
Na segunda-feira, o executivo europeu afirmou que iria "reforçar a sua preparação" neste dossier e acompanhar as "tendências" migratórias, reforçando a cooperação com as agências das Nações Unidas.
Em 2025, os países da UE e vizinhos da Noruega e Suíça e receberam cerca de 822.000 pedidos de asilo, o que representa uma diminuição de 19% em relação ao ano anterior. Esse recuo seguiu-se a uma diminuição de 11% em 2024.
A queda registada em 2025 pode ser explicada, em grande parte, pela diminuição do número de pedidos apresentados por sírios, após a queda de Bashar Al-Assad.
O número de requerentes de asilo nunca mais atingiu o nível da crise migratória de 2015, quando centenas de milhares de refugiados sírios que fugiam da guerra chegaram à Europa.